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existem alguns planetas nos quais os seres humanos não deveriam nunca por os pés.

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enquanto sobrevoa o planeta vênus, sua nave está fora de controle, rod crenshaw. Dentro de poucos minutos, você e seu co-piloto, reese bitner, estarão, provavelmente, mortos na superfície deste planeta que vieram explorar!

os motores rugem, enquanto a nave, após atravessar uma densa camada de nuvens, mergulha na misteriosa selva venusiana.

surpreendentemente, rod, e apesar da violência do impacto, você descobre que não está morto. pelo menos, não ainda! lá fora, tudo parece tranquilo!

mas, ao examinar seu co-piloto, você percebe que ele não se mexe.

lá fora, você descobre que a nave não foi seriamente danificada! enquanto você planeja o conserto do leme, que os fez perder o controle da nave, você não percebe que está sendo observado.

você atira na criatura mais próxima. a parte que se parece com um cérebro, se separa do hospedeiro e voa para longe!

você corre para a porta aberta da nave, mas os cérebros voadores te impedem de entrar.

no último instante, você se livra do abraço repulsivo e salta para dentro da nave.

você mal reconhece a voz arrepiante que fala pela boca do seu amigo!

você aproveita a confusão e corre em direção à popa da nave! mas as criaturas seguem obstinadamente em seu encalço!

trancado no compartimento de armazenagem de suprimentos, durante alguns instantes, você se sente aliviado. mas sabe que, não pode ficar aí por muito tempo!

seu problema, rod, é que, embora o compartimento esteja cheio de comida, não há nele uma gota sequer de água!

você demora muito tempo até se lembrar de que um conduto de água corre por dentro desse compartimento. febrilmente, você tenta abrir um buraco no conduto!

quando, finalmente, o cano se rompe, você sorve desesperadamente cada gota do fio de água que alcança seus lábios!

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aliviado, mental e fisicamente, você percebe, de repente, que há um meio de deter aqueles sugadores de cérebros!

mas, por ter ficado tanto tempo sem água, você ainda está muito fraco e adormece. quando, muito mais tarde, você desperta, descobre que sua nave já está entrando na atmosfera da terra!

exaltado, você dispara sua arma sobre outro conduto que passa pelo compartimento.

mas talvez não seja tão simples como você esperava. a munição da sua arma está acabando e o raio afeta muito lentamente a tubulação.

pela escotilha você percebe horrorizado que a nave já está muito próxima da superfície do planeta. haverá tempo suficiente para que o raio corte o tubo, afetando os circuitos que alimentam o motor e para que seu plano funcione?

pouco a pouco o raio trabalha até atingir os cabos de força no interior do conduto.

ignorando seus ferimentos, você rasteja para fora da nave, pela escotilha quebrada!

a uma distância segura da nave, você se volta para ver o resultado de seus esforços! esperançosamente, você espera que os sugadores de cérebros estejam mortos, e é com pavor que vê a porta da nave se abrindo!

sim, sobreviveram! e estão vindo atrás de você! sem forças para continuar fugindo, você dispara, sobre a entidade que controla reese, a última carga da sua arma de raios!

exatamente nesse instante, a nave explode! por alguns momentos, você perde a noção dos eventos.

e, por alguma razão, quando volta a si, você se surpreende desejando que algum dos sugadores de cérebros tenha sobrevivido!

só então, rod crenshaw, você compreende que, ter perdido a consciência por causa da explosão, criou a oportunidade para que os pensamentos que agora passam por sua mente, não sejam realmente seus!

Uma palavrinha sobre técnicas narrativas

Se considerarmos as três vozes narrativas mais comuns na literatura - também muito comuns nos quadrinhos - (1. quando um dos personagens da história, falando em primeira pessoa, conta a história para o leitor; 2. quando um observador externo à história conta, em terceira pessoa, a história para o leitor; 3. quando um observador "onisciente" que conhece, além dos fatos, os pensamentos e sentimentos dos personagens, conta tudo ao leitor), podemos dizer que os autores de quadrinhos (entre eles, o próprio Basil Wolverton - 1909/1978) inventaram, ou ao menos empregaram com muita frequência, um quarto tipo de voz narrativa: uma que se dirige ao leitor como se este encarnasse um dos personagens da história.

Os cérebros sugadores de Vênus (1952) é um exemplo clássico desse tipo de voz narrativa.

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